IA pode ajudar nos estudos, mas o Enem exige interpretação, pensamento crítico e capacidade de construir respostas sem depender da tecnologia.
A inteligência artificial já faz parte da rotina de estudos de muitos estudantes e pode ser usada para tirar dúvidas, pedir explicações e auxiliar na preparação para o Enem. Mas como usar inteligência artificial para estudar para o Enem sem deixar que a tecnologia faça tudo no seu lugar?
O tema foi abordado em uma reportagem exibida pelo Bom Dia Paraíba, que mostrou como estudantes estão usando a IA durante a preparação para as provas e discutiu os limites dessa ferramenta no aprendizado.
A resposta passa por uma palavra que talvez você já tenha ouvido por aí: prompt. É o comando que o usuário dá para a inteligência artificial para explicar o que precisa e receber uma resposta de acordo com o pedido.
IA pode ajudar nos estudos?
Para José Roberto, estudante, a inteligência artificial passou a fazer parte da rotina porque ele não está assistindo a aulas e não tem acesso a um professor para tirar dúvidas.
“A IA na minha rotina de estudo se faz muito presente que eu não estou assistindo aulas e não tenho acesso a um professor que possa tirar minhas dúvidas e dar explicações”, disse.
Ou seja: a ferramenta pode funcionar como apoio para quem precisa de uma explicação ou quer tirar uma dúvida durante os estudos.
Mas existe um ponto importante: usar IA não significa deixar que ela pense pelo estudante.
A doutora em Linguística e Semiótica Letícia Moraes explica que a tecnologia produz respostas a partir de uma grande coleção de textos. Segundo ela, é preciso ter atenção às fontes e manter o pensamento crítico.
“Quando eu delego todo o meu pensamento crítico para uma tecnologia, preciso ter cuidado com de onde vêm essas fontes. É preciso assumir nossa posição de humano”, explicou.
E se a inteligência artificial virar tema da redação?
A discussão também pode aparecer na própria prova. Para a professora de redação Erika Leal, a inteligência artificial pode ser relacionada a diferentes questões presentes na sociedade e, por isso, pode ser explorada em uma redação do Enem.
“A IA está no nosso cotidiano e como o sistema do Enem trabalha fatos do cotidiano, pode ser explorado por várias formas. É interessante explorar temas como a diminuição do senso crítico, o aumento de crimes virtuais, o próprio desemprego estrutural”.
Isso significa que, ao estudar sobre inteligência artificial, não basta entender como a tecnologia funciona. Também é importante pensar sobre os impactos dela na sociedade.
Segundo Erika, se o tema trouxer um recorte sobre a importância da inteligência artificial, por exemplo, o estudante pode abordar os avanços da tecnologia, mas também precisa reconhecer os problemas que ela pode trazer.
“Se o tema tem o recorte importância, você vai valorizar a IA e os avanços, mas você tem que reconhecer que também deixou lacunas”, afirmou.

