Lá Vem o Enem: resolva questões de Sociologia sobre o mundo do trabalho

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Videoaula explica como as novas tecnologias transformaram as relações de trabalho e apresenta conceitos que podem aparecer no Enem.

Você já usou Uber ou iFood e parou para pensar em como esses aplicativos mudaram a forma de trabalhar? Esse é um dos pontos discutidos na nova videoaula de Sociologia do Lá Vem o Enem.

O professor explica as transformações no mundo do trabalho, passando por modelos como o fordismo e o toyotismo até chegar às plataformas digitais. A aula também apresenta conceitos como uberização, plataformização, trabalho por demanda, precarização e gig economy.

Depois de conferir o conteúdo, é hora de testar o que você aprendeu. Resolva as questões abaixo e veja como o tema pode ser cobrado no Enem.

1 – A chamada “uberização” do trabalho tem sido analisada por sociólogos como Ricardo Antunes como um fenômeno que altera profundamente as relações trabalhistas contemporâneas. Uma das principais características desse modelo é:

A) a garantia de vínculo empregatício formal entre trabalhador e plataforma digital, com todos os direitos assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho.

B) a intermediação de serviços por plataformas digitais sem vínculo empregatício e com ausência de direitos trabalhistas como férias, 13º salário e FGTS.

C) a remuneração fixa mensal garantida, com adicional por produtividade e bônus por avaliação positiva dos usuários do serviço contratado.

D) a proteção previdenciária integral oferecida pelas empresas de tecnologia, incluindo aposentadoria, auxílio-doença e seguro-desemprego.

E) a jornada de trabalho regulamentada por convenção coletiva específica para cada categoria de aplicativo, com limite de horas diárias.

2. Leia o texto a seguir:

“O trabalhador ‘moderno’ precisa estar sempre disponível, com o celular na mão, mas sem garantia de férias, 13º salário ou aposentadoria. A ‘uberização’ se refere a um modelo de negócio que transforma relações de trabalho estáveis em ‘bicos’ ou trabalho intermitente, onde o trabalhador arca com todos os custos operacionais.”

Considerando o excerto e os conhecimentos sociológicos sobre as transformações no mundo do trabalho, a uberização da economia pode ser associada à:

A) ampliação dos direitos trabalhistas e criação de empregos formais com carteira assinada e estabilidade no emprego.

B) expansão do consumo e implementação do Estado de bem-estar social nos países periféricos e em desenvolvimento.

C) implementação de políticas públicas de qualificação profissional para trabalhadores informais e desempregados.

D) precarização das relações trabalhistas e transferência dos custos operacionais para o trabalhador, com ausência de proteção social.

E) criação de empregos com alta remuneração e aumento significativo dos rendimentos do trabalho para os prestadores de serviço.

3. Leia o texto a seguir:

As empresas alegam pertencer a um ramo independente de tecnologia, por isso se colocam apenas como mediadoras entre os clientes e os prestadores de serviço. No entanto, são elas que determinam, com base em critérios próprios, o preço desses serviços, o valor a ser pago e, logo, os lucros retidos. O algoritmo decide quem trabalha, quanto ganha e por quanto tempo.

O texto descreve um mecanismo de controle característico do trabalho em plataformas digitais, denominado pelos sociólogos de:

A) subordinação estrutural, característica do trabalho industrial fordista, com controle exercido por gerentes e supervisores humanos.

B) subordinação algorítmica, exercida por sistemas automatizados de gestão que controlam a distribuição de tarefas e a avaliação dos trabalhadores.

C) supervisão direta, com controle exercido por gerentes e supervisores humanos que acompanham o trabalho em tempo real.

D) autogestão operária, com os trabalhadores controlando os meios de produção e decidindo coletivamente sobre as condições de trabalho.

E) cooperação solidária, baseada em redes de ajuda mútua entre os trabalhadores que compartilham informações sobre as melhores rotas.

4. Leia o texto a seguir:

“No sistema capitalista, as muitas manifestações de crise criam condições que forçam a algum tipo de racionalização. Em geral, essas crises periódicas têm o efeito de expandir a capacidade produtiva e de renovar as condições de acumulação. A crise de 1973, por exemplo, foi fundamental para a reestruturação produtiva que se seguiu.”

HARVEY, D. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005 (adaptado).

A partir da perspectiva de David Harvey sobre as crises do capitalismo, a condição para a inclusão dos trabalhadores no novo processo produtivo descrito no texto é a:

A) associação sindical e fortalecimento da representação coletiva para negociar melhores condições de trabalho.

B) participação eleitoral e engajamento em partidos políticos que defendam os interesses da classe trabalhadora.

C) migração internacional para países com maior oferta de empregos e melhores condições salariais.

D) qualificação profissional para atender às novas demandas produtivas impostas pela reestruturação capitalista.

E) regulamentação funcional por meio de leis trabalhistas protetivas que garantam direitos mínimos aos trabalhadores.

5.Leia o texto a seguir:

“O que está em curso é a formação de um proletariado de serviços ou um proletariado do precariado, marcado pela informalidade, intermitência, terceirização e desproteção social. A terceirização é a forma mais avançada de precarização estrutural do trabalho.”

ANTUNES, R. O Caracol e sua Concha: ensaios sobre a nova morfologia do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2005.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a obra de Ricardo Antunes, a terceirização, conforme analisada pelo autor, tende a:

A) promover a igualdade de direitos no ambiente de trabalho, homogeneizando as condições para todos os funcionários da mesma empresa.

B) fortalecer os sindicatos e a organização coletiva dos trabalhadores, unificando suas lutas em torno de pautas comuns.

C) extinguir a figura do empregador, transferindo toda a responsabilidade trabalhista para o empregado que presta o serviço.

D) fragmentar a classe trabalhadora, criando hierarquias e diferenças de direitos dentro de um mesmo local de trabalho.

E) garantir a estabilidade no emprego, pois as empresas terceirizadas oferecem contratos mais longos e seguros.

6.Leia o texto a seguir:

“O tempo de trabalho, que outrora tinha uma fronteira relativamente clara em relação ao tempo de não trabalho, torna-se agora um tempo socialmente indeterminado. O trabalhador está sempre ‘conectado’ e disponível, mesmo fora do horário tradicional de expediente.”

ANTUNES, R. Os Sentidos do Trabalho. São Paulo: Boitempo, 2009.

A afirmação de Antunes dialoga diretamente com uma característica do trabalho flexível no capitalismo contemporâneo, que é:

A) a rígida separação entre a vida profissional e a vida pessoal, típica do modelo fordista de produção em massa e esteira.

B) a redução significativa da jornada de trabalho para todas as categorias profissionais, com mais tempo livre para o lazer.

C) o borramento dos limites entre o tempo de trabalhar e o tempo de descansar, com disponibilidade permanente exigida dos trabalhadores.

D) a garantia institucional de que o tempo de lazer será sempre respeitado pelos empregadores e pelas plataformas digitais.

E) a predominância do trabalho analógico e presencial, sem interferência das tecnologias digitais na rotina laboral.

7.Leia o texto a seguir:

“A acumulação flexível se apoia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo. Caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional.”

HARVEY, D. A Condição Pós-Moderna. São Paulo: Loyola, 1992.

Sobre a “acumulação flexível”, conceito desenvolvido por David Harvey para descrever a reestruturação do capitalismo a partir da década de 1970, é correto afirmar que:

A) representa uma expansão e aprofundamento do princípio fordista de produção em massa, com aumento da produção padronizada.

B) garantiu a estabilidade dos postos de trabalho e a padronização dos processos produtivos, com aumento do emprego formal.

C) eliminou completamente as formas de trabalho temporário e subcontratado, fortalecendo o emprego regular e estável.

D) gerou aumento significativo do trabalho especializado e da racionalidade produtiva para todos os trabalhadores.

E) aumentou a precarização das relações de trabalho e reduziu o emprego regular estável, com expansão do trabalho atípico.

8.Para Ricardo Antunes, o trabalho na contemporaneidade sofre profundas transformações em sua “morfologia”. Uma das principais teses do autor é a formação de um “proletariado de serviços” ou “precariado”, caracterizado por:

A) expansão do trabalho formal e estável em setores como tecnologia e finanças, com altos salários e benefícios atrativos.

B) garantia de direitos trabalhistas históricos conquistados, aplicados agora integralmente ao setor de serviços e ao comércio.

C) substituição completa do trabalho industrial pelo trabalho rural mecanizado e agroexportador nos países periféricos.

D) precarização, flexibilidade e insegurança que atingem massivamente os trabalhadores do setor de serviços na contemporaneidade.

E) formação de uma classe média ampla e consumidora, baseada em empregos públicos concursados e estáveis ao longo da vida.

9.Leia os textos a seguir:

Texto I

“Considerada exclusivamente como meio de barateamento do produto, o limite para o uso da maquinaria está dado na condição de que sua própria produção custe menos trabalho do que o trabalho que sua aplicação substitui. Para o capital, no entanto, esse limite se expressa de forma mais estreita. Como ele não paga o trabalho aplicado, mas o valor da força de trabalho aplicada, o uso da máquina lhe é restringido pela diferença entre o valor da máquina e o valor da força de trabalho por ela substituída.”

MARX, Karl. O Capital, 2017.

Texto II

“A classe que vive do trabalho vê-se hoje desfigurada, fragmentada e complexificada, composta por assalariados típicos e atípicos, terceirizados, públicos, temporários, entre outros. A uberização representa uma nova etapa do capitalismo digital, na qual o trabalhador se torna ‘empreendedor de si mesmo’, mas sem as proteções do Estado ou da CLT.”

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao Trabalho? São Paulo: Cortez, 1995.

A análise de Ricardo Antunes sobre a classe trabalhadora contemporânea, considerando a transição do capitalismo industrial para o digital, aponta para uma:

A) homogeneização e simplificação da composição da classe trabalhadora, facilitando sua organização política e sindical.

B) diminuição numérica absoluta da classe trabalhadora, tornando-a irrelevante para a análise sociológica contemporânea.

C) migração em massa da classe trabalhadora para o setor rural, reconfigurando o campesinato moderno e as relações agrárias.

D) absorção completa da classe trabalhadora pela classe média, diluindo os conflitos de classe tradicionais do capitalismo.

E) fragmentação e heterogeneidade da classe trabalhadora, impondo grandes desafios para sua organização coletiva e luta sindical.

10. Leia o texto a seguir:

“A terceirização é a forma mais avançada de precarização estrutural do trabalho, pois fragmenta a classe trabalhadora, criando um exército de reserva dentro da própria empresa, com direitos reduzidos e salários inferiores. A uberização leva essa lógica ao extremo, eliminando qualquer mediação entre o trabalhador e o controle algorítmico.”

ANTUNES, Ricardo. O Privilégio da Servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018.

A partir da análise de Ricardo Antunes sobre a precarização estrutural do trabalho e o fenômeno da uberização, é correto afirmar que:

A) a uberização representa uma ruptura completa com o processo histórico de precarização, criando novas formas de proteção social para os trabalhadores.

B) a transferência de riscos e custos operacionais para o trabalhador é uma característica central do modelo de negócio das plataformas, reduzindo os custos das empresas.

C) a autonomia do trabalhador de plataforma é ampla e efetiva, pois ele pode escolher seus horários e recusar tarefas sem qualquer penalidade.

D) a terceirização e o trabalho em plataformas contribuem para a redução das desigualdades sociais ao oferecerem oportunidades de renda estável.

E) a uberização fortalece a organização sindical dos trabalhadores, pois elimina a figura do patrão e permite maior autonomia coletiva.

COMENTÁRIOS DETALHADOS POR QUESTÃO

Questão 01 – Gabarito: B

Resolução comentada: A “uberização” caracteriza-se pela intermediação de serviços por plataformas digitais, com prestação de trabalho por demanda e ausência de vínculo empregatício formal. O trabalhador não é contratado como empregado, mas como “parceiro” ou “prestador de serviços autônomo”, o que significa a ausência de direitos como férias, 13º salário, FGTS e aposentadoria . As demais alternativas descrevem exatamente o oposto do que ocorre nesse modelo: não há garantia de vínculo (A), a remuneração é variável e não fixa (C), não há proteção previdenciária (D) e não há regulamentação por convenção coletiva (E). A alternativa B é a única que descreve corretamente as características fundamentais da uberização.

Habilidade ENEM: Identificar as características das novas formas de organização do trabalho mediado por tecnologias digitais.

Questão 02 – Gabarito: D

Resolução comentada: O texto descreve trabalhadores sem garantias (férias, 13º, aposentadoria) e transformação de empregos estáveis em “bicos”, caracterizando a precarização das relações trabalhistas. Além disso, o modelo transfere custos para o trabalhador, que arca com veículo, combustível, manutenção e celular . Essa transferência de custos e riscos é central no modelo de negócio das plataformas . As demais alternativas são incorretas porque apresentam efeitos opostos: ampliação de direitos (A), Estado de bem-estar social (B e C) ou aumento de rendimentos (E). A alternativa D captura corretamente os dois aspectos centrais: precarização e transferência de custos.

Habilidade ENEM: Relacionar as transformações do mundo do trabalho contemporâneo com a perda de direitos sociais.

Questão 03 – Gabarito: B

Resolução comentada: A subordinação algorítmica é o mecanismo de controle próprio do trabalho em plataformas: o algoritmo distribui tarefas, estabelece critérios de avaliação (notas, taxa de aceitação, tempo de entrega) e pode punir ou desligar o trabalhador sem possibilidade de defesa . O texto descreve exatamente esse controle automatizado quando afirma que “o algoritmo decide quem trabalha, quanto ganha e por quanto tempo”. As demais alternativas são incorretas porque descrevem outros tipos de controle: subordinação estrutural fordista (A), supervisão direta humana (C), autogestão operária (D) ou cooperação solidária (E), que não correspondem ao mecanismo descrito no texto. A alternativa B é a única que nomeia corretamente o fenômeno.

Habilidade ENEM: Compreender os mecanismos de controle e gestão do trabalho no capitalismo de plataforma.

Questão 04 – Gabarito: E

Resolução comentada: Harvey argumenta que as crises capitalistas impõem racionalizações produtivas, exigindo dos trabalhadores adaptação às novas demandas, especialmente qualificação profissional para atender à reestruturação produtiva . No contexto da uberização, essa “qualificação” assume um caráter paradoxal: o trabalhador precisa dominar ferramentas digitais e navegar pelos sistemas das plataformas, mas essa capacitação não se traduz em proteção social ou estabilidade. As demais alternativas não correspondem à exigência posta pelo texto: associação sindical (A), participação eleitoral (B), migração (C) e regulamentação (D) não são apresentadas no texto como condições para a inclusão no novo processo produtivo. A alternativa E é a que melhor reflete a argumentação de Harvey.

Habilidade ENEM: Articular conceitos da teoria sociológica com fenômenos sociais contemporâneos.

Questão 05 – Gabarito: A

Resolução comentada: Para Antunes, a terceirização é “a forma mais avançada de precarização estrutural do trabalho, pois fragmenta a classe trabalhadora, criando um exército de reserva dentro da própria empresa, com direitos reduzidos e salários inferiores” . No mesmo local de trabalho, convivem trabalhadores contratados diretamente (com mais direitos) e terceirizados (com menos direitos), hierarquizando a classe trabalhadora e dificultando sua organização coletiva. A alternativa A está correta ao descrever essa fragmentação e criação de hierarquias. As demais alternativas descrevem efeitos opostos aos diagnosticados pelo autor: igualdade de direitos (B), fortalecimento sindical (C), extinção do empregador (D) ou garantia de estabilidade (E).

Habilidade ENEM: Analisar os efeitos da terceirização sobre a organização da classe trabalhadora.

Questão 06 – Gabarito: C

Resolução comentada: Antunes destaca que a fronteira entre tempo de trabalho e não trabalho se torna indeterminada no capitalismo contemporâneo . O trabalho mediado por plataformas exemplifica esse fenômeno, pois o trabalhador está “sempre disponível” para novas tarefas, confundindo os momentos de trabalho e descanso. A alternativa C está correta ao identificar esse “borramento” dos limites. As demais alternativas descrevem exatamente o oposto do que o texto afirma: rígida separação entre vida profissional e pessoal (A); redução da jornada (B); garantia de respeito ao lazer (D); ou predominância do trabalho analógico (E), que são características do fordismo ou idealizações que não correspondem à realidade contemporânea descrita por Antunes.

Habilidade ENEM: Analisar as transformações na experiência temporal do trabalho contemporâneo.

Questão 07 – Gabarito: D

Resolução comentada: A acumulação flexível, segundo Harvey, confronta a rigidez do fordismo, apoiando-se na flexibilização dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho e dos produtos. Isso promove a redução do emprego regular em favor de trabalho em tempo parcial, temporário, subcontratado ou terceirizado, com consequente aumento da precarização . O texto de Harvey descreve exatamente esse processo de flexibilização e inovação. A alternativa D está correta ao afirmar que a acumulação flexível aumentou a precarização e reduziu o emprego regular estável. As demais são incorretas: A (expansão do fordismo), B (garantia de estabilidade), C (eliminação do trabalho temporário) e E (aumento do trabalho especializado para todos) são afirmações que contradizem a análise de Harvey.

Habilidade ENEM: Relacionar as transformações do capitalismo com as mudanças nas relações de trabalho.

Questão 08 – Gabarito: E

Resolução comentada: Ricardo Antunes cunha o conceito de “proletariado de serviços” (ou “precariado”) para descrever a nova classe trabalhadora marcada pela informalidade, intermitência, terceirização, desproteção social e insegurança generalizada . Esse conceito busca captar a nova morfologia do trabalho no capitalismo contemporâneo, caracterizado pela flexibilidade e precarização. As demais alternativas descrevem cenários opostos ao diagnosticado pelo autor: expansão do trabalho formal (A), garantia de direitos (B), substituição pelo rural (C) ou formação de classe média (D). A alternativa E é a única que captura corretamente a caracterização do precariado segundo Antunes.

Habilidade ENEM: Compreender os conceitos sociológicos que descrevem as transformações da classe trabalhadora.

Questão 09 – Gabarito: A

Resolução comentada: Ricardo Antunes argumenta que a classe trabalhadora contemporânea está “desfigurada, fragmentada e complexificada”, composta por diferentes tipos de assalariados (típicos e atípicos, terceirizados, temporários, etc.). Essa fragmentação impõe desafios significativos para sua organização coletiva e identidade de classe, dificultando a luta sindical e a resistência organizada . O Texto I, de Marx, estabelece a base para entender a relação capital-trabalho e a utilização da maquinaria como meio de controle e extração de mais-valor, e o Texto II aplica essa análise à contemporaneidade, mostrando como a fragmentação se aprofundou. A alternativa A está correta ao descrever esse diagnóstico. As demais alternativas são incorretas: B (homogeneização) inverte o diagnóstico; C (irrelevância numérica) é falsa; D (migração para o rural) é falsa; E (absorção pela classe média) é falsa.

Habilidade ENEM: Articular conceitos da teoria sociológica clássica com fenômenos sociais contemporâneos.

Questão 10 – Gabarito: C

A alternativa correta é a C, pois a transferência de custos para o trabalhador (veículo, combustível, manutenção, celular, seguro, alimentação) é central no modelo de negócio das plataformas, que reduzem drasticamente seus custos operacionais e transferem os riscos da atividade para o trabalhador . Essa é uma característica fundamental da uberização identificada por Antunes.

SUGESTÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR

Para aprofundamento dos temas abordados, recomenda-se:

  • ANTUNES, Ricardo. O Privilégio da Servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018.
  • ANTUNES, Ricardo. Os Sentidos do Trabalho. São Paulo: Boitempo, 2009.
  • HARVEY, David. A Condição Pós-Moderna. São Paulo: Loyola, 1992.
  • HARVEY, David. A Produção Capitalista do Espaço. São Paulo: Annablume, 2005.
  • ABÍLIO, Ludmila Costhek. Uberização: a era do trabalhador just-in-time? Disponível em: SciELO Brasil.
  • MARX, Karl. O Capital, Livro I. São Paulo: Boitempo, 2017 (Capítulo sobre maquinaria e grande indústria).

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