Psicopedagoga dá dicas sobre qual curso escolher para o ensino superior

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Estudante não precisa chegar à prova com a graduação definida e pode mudar de curso durante a faculdade.

A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costuma vir acompanhada de uma dúvida que vai além da prova: qual curso escolher depois de conseguir uma boa nota? Para alguns estudantes, a graduação desejada já está definida. Para outros, a decisão ainda envolve dúvidas sobre interesses, mercado de trabalho e até a expectativa da família.

De acordo com a psicopedagoga Maysa Isabelle, o estudante não precisa necessariamente saber qual curso pretende fazer antes de realizar o Enem. Depois da divulgação da nota, ele ainda terá tempo para analisar as possibilidades de ingresso no ensino superior.

Com o resultado em mãos, o candidato pode participar de programas como Sisu, ProUni e Fies, além de processos seletivos de instituições particulares. Em alguns desses programas, há possibilidade de indicar mais de uma opção de curso, o que pode dar ao estudante mais tempo para avaliar a decisão.

Como escolher o curso?

Para quem ainda não sabe qual graduação seguir, o primeiro passo é olhar para as próprias áreas de interesse. A recomendação é pesquisar não apenas uma profissão específica, mas também cursos relacionados e as diferentes formações oferecidas pelas instituições de ensino.

Também é importante conhecer a estrutura dos cursos. Segundo Maysa, o estudante deve procurar informações sobre as disciplinas da graduação, as possibilidades de atuação profissional e as características do mercado de trabalho na área.

Outra possibilidade são os testes vocacionais, que podem ser realizados e acompanhados por profissionais da Psicologia. A ferramenta pode contribuir para o autoconhecimento e para a reflexão sobre interesses e possibilidades profissionais.

Projetos desenvolvidos por escolas também podem ajudar nesse processo, ao apresentar aos estudantes diferentes opções de graduação e de carreira.

Quanto mais o estudante conhecer sobre si mesmo e sobre as opções disponíveis, mais condições terá de fazer uma escolha consciente e alinhada aos seus interesses.

E se a escolha estiver errada?

A decisão sobre a graduação não precisa ser vista como definitiva. Durante a faculdade, o estudante pode descobrir novos interesses e perceber que outra área faz mais sentido para sua trajetória.

As próprias instituições podem oferecer processos de reopção de curso ou disponibilizar vagas remanescentes, conforme as regras de cada faculdade. Dependendo da situação e da compatibilidade entre as graduações, também pode ser possível aproveitar disciplinas já cursadas.

“É importante que o estudante compreenda que recalcular a rota faz parte do processo de construção profissional. Conhecer melhor uma área durante a graduação pode ajudá-lo a perceber novos interesses.” disse a psicopedagoga

Curso que ‘dá dinheiro’ ou que combina com o estudante?


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Outro fator que costuma pesar na escolha é a expectativa de retorno financeiro. Para Maysa, porém, a decisão não precisa ficar restrita à ideia de escolher entre um “curso que dá dinheiro” e um “curso que não dá dinheiro”.

As graduações podem abrir diferentes caminhos profissionais, e as oportunidades de trabalho variam conforme fatores como área, região e momento do mercado. Dessa forma, não há garantia de que uma determinada graduação resultará, por si só, em sucesso financeiro.

A recomendação é considerar um conjunto de fatores, como aptidões, interesses, habilidades, projetos de vida e possibilidades de atuação profissional. A escolha, portanto, pode buscar um equilíbrio entre aquilo que o estudante gosta de fazer, aquilo em que possui habilidades e as perspectivas existentes para a profissão.

Quando os pais querem escolher pelo filho

A participação da família também pode ter peso nesse momento. É comum que pais se preocupem com a estabilidade financeira e com as oportunidades profissionais dos filhos. O problema, segundo a psicopedagoga, é quando essa preocupação se transforma em pressão para que o estudante siga uma carreira que não corresponde aos seus interesses.

“Os pais devem estar abertos a conhecer as diferentes graduações oferecidas e compreender que hoje temos uma grande amplitude de cursos e diversas áreas de atuação profissional.” disse a profissional. 

Nesse cenário, o diálogo é fundamental. Os pais podem ajudar pesquisando diferentes graduações, conhecendo as possibilidades de formação e conversando com os filhos sobre seus planos.

Ao mesmo tempo, o estudante precisa ter espaço para falar sobre seus interesses, anseios, projetos profissionais e sonhos para o futuro.

A família pode participar oferecendo apoio e orientação, mas a escolha precisa considerar principalmente a pessoa que irá vivenciar aquela formação e construir sua trajetória profissional.

Para Maysa, a escolha profissional pode ser construída com diálogo, respeito e participação da família, sem deixar de levar em conta as características e os projetos do próprio estudante.

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