Canções de Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Flávio José e outros artistas nordestinos ajudam a discutir temas como educação, desigualdade social, identidade cultural e valorização da região
O forró pode ser um aliado dos estudantes que estão se preparando para a redação do Enem 2026. Além de fazer parte da identidade cultural nordestina, o gênero reúne músicas que retratam problemas sociais, contam histórias do sertão e valorizam a poesia popular.
As letras podem servir como ponto de partida para discutir temas como educação, preconceito regional, migração, desigualdade social, preservação ambiental e orgulho das próprias origens. Algumas canções também ajudam a refletir sobre a memória do cangaço e a importância de reconhecer a produção cultural nordestina.
Pensando nisso, o Lá Vem o Enem reuniu dez músicas de forró, baião e xote que podem ser utilizadas como repertório sociocultural na redação. A proposta é mostrar como cada canção pode contribuir para a construção de argumentos sobre questões relevantes para a sociedade brasileira.
No Enem, a Competência II avalia a compreensão da proposta, o desenvolvimento do tema e a mobilização de conhecimentos de diferentes áreas. Por isso, não basta citar uma música: é necessário explicar sua mensagem e relacioná-la ao assunto discutido.
10 músicas de forró para usar na redação do Enem
1. “ABC do Sertão”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas
”Que braseiro, que fornaia’
Nenhum pé de prantação’
Por farta’ d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão”
A canção brinca com as diferenças de pronúncia das letras do alfabeto e apresenta elementos da linguagem oral sertaneja. A música permite refletir sobre a diversidade linguística do Brasil e sobre o preconceito que muitas pessoas enfrentam por causa do sotaque ou da maneira como falam.
Como usar na redação: a música pode ser relacionada a temas como educação no Nordeste, alfabetização, diversidade linguística e discriminação regional. Em uma proposta sobre preconceito linguístico, o estudante pode argumentar que as variedades da língua fazem parte da identidade cultural e não devem ser tratadas como sinal de inferioridade.
A referência também permite discutir a importância de uma educação que respeite os repertórios culturais dos alunos e, ao mesmo tempo, ofereça acesso às diferentes formas de uso da língua portuguesa.
2. “A Triste Partida”, de Patativa do Assaré, interpretada por Luiz Gonzaga
“Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus”
A composição conta a história de uma família que deixa sua terra diante das dificuldades provocadas pela seca. A narrativa mostra como a falta de condições para sobreviver pode levar pessoas a buscar oportunidades em outras regiões do país.
Como usar na redação: a música pode contribuir para discussões sobre êxodo rural, migração interna, pobreza e desigualdade de oportunidades. O estudante pode relacionar a história retratada à concentração de empregos e serviços em determinados locais e às dificuldades enfrentadas por famílias que vivem em áreas rurais.
A obra também permite valorizar a poesia popular como forma de registrar experiências sociais e dar visibilidade às histórias de pessoas que enfrentam dificuldades para permanecer em seus territórios.
3. “Caboclo Sonhador”, de Maciel Melo, interpretada por Flávio José
“Sou devoto de Padim Ciço Romão
Sou tiete do nosso Rei do Cangaço
E meu regaço culminado em pensamentos
Em meu rebento sedento eu quero chegar”
A canção reúne referências à religiosidade, ao sertão e a personagens que fazem parte do imaginário nordestino. A figura do cantador aparece associada à tradição de contar histórias por meio dos versos e de preservar a memória de uma comunidade.
Como usar na redação: a música pode ser utilizada em temas sobre literatura de cordel, poesia popular, preservação da memória e valorização dos artistas regionais. A referência ajuda a argumentar que a cultura nordestina também produz conhecimento, registra experiências históricas e expressa diferentes formas de compreender o mundo.
Em uma proposta sobre acesso à cultura, o estudante pode discutir a importância de valorizar poetas populares, repentistas e cordelistas em escolas, bibliotecas e espaços culturais.
4. “Mulher Rendeira”, na versão popularizada por Zé do Norte
“Lampião desceu a serra
Deu um baile em Cajazeira
Botou as moças donzelas
Pra cantar mulher rendera
Olê, mulher rendeira”
Conhecida em diferentes versões, “Mulher Rendeira” está associada ao imaginário do cangaço e à figura de Lampião. A canção também se tornou parte da memória cultural brasileira por meio de gravações e representações artísticas.
Como usar na redação: a música pode ser relacionada a temas como memória histórica, cultura popular, representação do cangaço e construção da identidade nordestina. O estudante pode discutir como músicas, filmes e narrativas populares contribuem para a maneira como personagens históricos são lembrados.
É importante, porém, diferenciar a representação cultural dos fatos comprovados. A associação da canção a Lampião não significa que ele seja necessariamente seu autor.
5. “Sina de Cabôclo”, de Flávio José
“Rezo pro Santo de cima me ajudar
Pra que essa gente nunca pare de sonhar
Encaro tudo de maneira passageira
Na batida do zabumba
Eu não sei me controlar“
A música valoriza a identidade do homem nordestino e questiona a desvalorização da região. A mensagem pode ser utilizada para refletir sobre estereótipos que associam o Nordeste apenas à seca, à pobreza ou ao atraso, ignorando a diversidade cultural, histórica e econômica de seus estados.
Como usar na redação: a canção pode contribuir para temas sobre xenofobia regional, discriminação, identidade cultural e valorização da diversidade brasileira.
O estudante pode argumentar que o preconceito contra nordestinos se manifesta em estereótipos sobre sotaque, origem e condições socioeconômicas. A música ajuda a introduzir a discussão sobre a necessidade de reconhecer a contribuição histórica e cultural da região para o país.
6. “Paraíba Joia Rara”, de Ton Oliveira
“Eu sou da Paraíba, é meu esse lugar
A cara desse povo tem a minha cara”
A canção homenageia a Paraíba e destaca elementos que fazem parte da identidade do estado. A música expressa orgulho de pertencer a um território e valoriza suas paisagens, sua história e sua cultura.
Como usar na redação: pode ser relacionada a temas como identidade regional, patrimônio cultural, diversidade brasileira e sentimento de pertencimento. Em uma proposta sobre valorização das culturas locais, o estudante pode discutir como as manifestações artísticas contribuem para preservar tradições e fortalecer os vínculos de uma comunidade com seu território.
A referência também ajuda a mostrar que valorizar as próprias origens não significa rejeitar outras culturas, mas reconhecer a diversidade que constitui a sociedade brasileira.
7. “De Volta pro Aconchego”, de Nando Cordel e Dominguinhos, interpretada por Elba Ramalho
“Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar o meu cansaço
E toda essa minha vontade”
Na interpretação de Elba Ramalho, a música expressa a vontade de voltar para um lugar associado ao afeto e à familiaridade. A narrativa permite refletir sobre os vínculos que as pessoas mantêm com suas origens, mesmo quando precisam viver longe de casa.
Como usar na redação: a canção pode ser relacionada a temas como migração, mobilidade social, pertencimento e vínculos comunitários. Em uma proposta sobre a saída de nordestinos para outras regiões em busca de trabalho ou estudo, por exemplo, a música pode ajudar a abordar a dimensão emocional desse deslocamento.
A análise também permite discutir como as pessoas constroem suas identidades a partir das experiências vividas em diferentes lugares.
8. “Feira de Mangaio”, de Sivuca e Glorinha Gadelha
“Pé de moleque, alecrim, canela
Moleque sai daqui, me deixa eu trabalhar
Zé saiu correndo pra feira dos pássaros
E foi passo voando pra todo lugar”
A música retrata o cotidiano de uma feira popular, com comerciantes, produtos e práticas tradicionais. A cena apresenta elementos da economia local e da convivência comunitária, além de registrar costumes presentes em diferentes cidades nordestinas.
Como usar na redação: a canção pode ser relacionada a temas como trabalho informal, economia popular, valorização dos saberes tradicionais e patrimônio cultural.
O estudante pode discutir a importância das feiras livres para a geração de renda de pequenos comerciantes e para a preservação de práticas culturais. A referência também pode ajudar em uma redação sobre a valorização de trabalhadores que desempenham atividades essenciais para a economia local.
9. “Súplica Cearense”, de Gordurinha e Nelinho, interpretada por Luiz Gonzaga
“Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão”
A canção retrata a súplica de uma pessoa que depende da chuva para que a terra volte a produzir. A letra expressa a vulnerabilidade de quem vive em regiões onde as condições climáticas afetam diretamente o trabalho e a sobrevivência.
Como usar na redação: a música pode contribuir para temas sobre mudanças climáticas, segurança hídrica, desigualdade ambiental e condições de vida no semiárido.
O estudante pode relacionar a mensagem da canção à importância de políticas de acesso à água, infraestrutura e tecnologias de convivência com a seca. A análise também permite mostrar que os efeitos dos problemas ambientais são diferentes de acordo com as condições econômicas e sociais de cada população.
10. “Filho do Dono”, de Petrúcio Amorim, interpretada por Flávio José
“Desigualdade rima com hipocrisia
Não tem verso nem poesia que console um cantador”
A música apresenta uma crítica a problemas sociais e ambientais, chamando atenção para a desigualdade e para a indiferença diante do sofrimento de outras pessoas. A letra permite refletir sobre a distância entre os recursos existentes na sociedade e as condições de vida de grupos vulneráveis.
Como usar na redação: a canção pode ser relacionada a temas como desigualdade social, insegurança alimentar, preservação ambiental e cidadania.
Em uma proposta sobre a fome no Brasil, por exemplo, o estudante pode utilizar a música para introduzir uma reflexão sobre a permanência da pobreza em uma sociedade que produz alimentos e dispõe de recursos. A referência deve ser acompanhada de argumentos e informações que ajudem a explicar as causas do problema e a necessidade de políticas públicas.
Como usar músicas de forró na redação do Enem?
As canções podem enriquecer a redação, mas precisam estar conectadas ao tema proposto. Para utilizar esse repertório de maneira produtiva, os estudantes podem seguir algumas orientações:
- Compreenda a letra: identifique a mensagem da música e o contexto em que ela foi produzida.
- Relacione a canção ao tema: escolha uma referência que ajude a discutir o problema apresentado na proposta.
- Explique o argumento: não basta citar o título ou reproduzir um verso. É necessário mostrar como a música contribui para o raciocínio desenvolvido.
- Amplie o repertório: combine a referência musical com conhecimentos históricos, conceitos, dados ou exemplos pertinentes.
- Evite estereótipos: a cultura nordestina é diversa e não deve ser resumida à seca, à pobreza ou ao cangaço.
A cultura nordestina também é repertório para o Enem
O forró oferece diferentes possibilidades para a redação: de “ABC do Sertão”, que permite discutir educação e preconceito linguístico, a “Caboclo Sonhador”, que valoriza a poesia popular, e “Paraíba Joia Rara”, que expressa orgulho regional.
Mais do que decorar versos, o estudante deve compreender o significado das canções e estabelecer conexões com os problemas apresentados na proposta. Dessa forma, a música pode contribuir para uma argumentação consistente e demonstrar conhecimento sobre a diversidade cultural brasileira.
Continue acompanhando o Lá Vem o Enem para conferir dicas, conteúdos e orientações que ajudam na preparação para as provas do Enem 2026.
