Psicopedagoga explica como aproveitar o tempo disponível, revisar erros e organizar os estudos na reta final do exame.
É possível melhorar o desempenho no Enem estudando uma ou duas horas por dia, desde que o tempo seja aproveitado com estratégia. Na reta final, a recomendação é priorizar questões de provas anteriores, revisar os erros e reforçar conteúdos que o estudante já conhece, em vez de tentar aprender toda a matéria acumulada ao longo do ensino médio.
A orientação é da psicopedagoga Luana Ribeiro, que explica que estudar para o Enem com pouco tempo exige definir prioridades e manter uma rotina que possa ser seguida até o dia da prova.
Segundo a especialista, poucas semanas não são suficientes para revisar todo o conteúdo dos três anos do ensino médio. Ainda assim, esse período pode ser usado para melhorar a interpretação de enunciados, ganhar familiaridade com o formato do exame e aprender a administrar o tempo durante a prova.
“Não existe um número mínimo que valha para todo mundo. O que posso dizer, do ponto de vista da aprendizagem, é que consistência pesa mais do que volume. Para quem só tem uma ou duas horas, isso pode ser suficiente se o tempo for de atenção real, sem celular por perto e com método”, disse Luana.
Como estudar para o Enem com pouco tempo?
Para quem tem poucas horas disponíveis, a principal recomendação é resolver questões de edições anteriores do Enem e usar cada erro como indicação do que precisa ser revisado.
“A prioridade é resolver questões, de preferência provas anteriores do Enem, e usar cada erro como mapa de estudo”, orienta a psicopedagoga Luana Ribeiro.
A psicopedagoga orienta que, depois de responder às questões, o estudante identifique o motivo do erro. A dificuldade pode estar no desconhecimento do conteúdo, na interpretação do enunciado, em uma distração ou em uma resposta marcada por tentativa. Cada situação exige um tipo de revisão.
Na escolha dos assuntos, vale observar o que aparece com frequência nas provas anteriores e priorizar os temas que o estudante já conhece parcialmente. A interpretação de texto, por exemplo, é necessária em diferentes áreas. Em Matemática, porcentagem, proporção e leitura de gráficos e tabelas estão entre os conteúdos que merecem atenção.
Segundo Luana, tentar revisar todo o conteúdo pode não ser a melhor estratégia na reta final.
“Priorizar o que mais cai e o que já se conhece parcialmente é mais inteligente do que tentar cobrir o programa inteiro”, explica.
Os simulados completos também podem fazer parte da preparação, mas a recomendação é realizar um ou dois, com análise dos erros. Fazer várias provas sem revisar as respostas consome o tempo disponível sem permitir que o estudante identifique o que precisa melhorar.
A redação também deve entrar no planejamento. A psicopedagoga recomenda escrever uma ou duas por semana, com correção ou devolutiva, para identificar pontos que precisam ser ajustados.
Quantas horas por dia estudar para o Enem?
Não existe uma quantidade de horas que funcione da mesma forma para todos os candidatos, segundo a profissional. A rotina depende do tempo disponível, da base de conhecimentos, das dificuldades de atenção e das atividades que cada pessoa precisa conciliar.
Para quem dispõe de apenas uma hora por dia, Luana sugere dividir o período entre a recuperação do conteúdo já estudado e a resolução de exercícios. Uma possibilidade é dedicar cerca de 20 minutos à revisão de memória ou dos erros recentes e reservar os outros 40 minutos para questões.
A ideia é substituir o estudo baseado apenas em leitura por atividades que exijam que o estudante se lembre das informações e aplique o que aprendeu. Ler um resumo ou assistir a uma videoaula pode dar a impressão de domínio, mas isso não significa que o conteúdo será lembrado na hora da prova.
Uma forma de verificar a aprendizagem é tentar explicar o assunto com as próprias palavras, resolver questões sem consultar o gabarito e justificar por que as alternativas erradas não estão corretas. Se houver dificuldade, o estudante consegue identificar o que precisa revisar.
O descanso também faz parte da preparação. De acordo com Luana, estudar por muitas horas com cansaço pode prejudicar a absorção do conteúdo. Por isso, manter uma rotina possível de cumprir, preservar o sono e fazer pausas são medidas importantes para sustentar os estudos.
Ainda dá tempo de melhorar a nota do Enem?
Para quem está preocupado com o tempo que resta até a prova, a psicopedagoga recomenda reduzir a quantidade de assuntos a serem estudados e concentrar os esforços no que pode ser aprimorado.
“Não é tarde para melhorar, mas é tarde para tentar fazer tudo. Minha orientação é reduzir o escopo e aumentar a qualidade: escolher os conteúdos que mais aparecem na prova e que o aluno já conhece em parte, resolver questões todos os dias, revisar os próprios erros e escrever redações com devolutiva”, afirmou.
Na última semana, a orientação é fazer revisões leves, evitar começar muitos conteúdos novos e manter uma rotina de sono e alimentação. Também é importante organizar com antecedência o local de prova, os documentos necessários, o horário e o trajeto.
A ansiedade merece atenção durante esse período. Luana recomenda evitar comparações com a rotina de outros candidatos nas redes sociais e manter hábitos que ajudem a controlar a tensão, como respirar de forma lenta e preservar horários regulares de descanso e alimentação.
O objetivo, segundo a especialista, é aproveitar o tempo que ainda existe para melhorar pontos específicos, sem tentar recuperar todo o conteúdo de uma vez. Mesmo com poucas horas por dia, é possível trabalhar a resolução de questões, a revisão e a organização para a prova de forma consistente.
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