Enem 2026: ainda dá tempo de recuperar os conteúdos que ficaram para trás?

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Professores orientam estudantes a priorizar assuntos recorrentes, resolver questões e revisar os erros em vez de tentar estudar todo o conteúdo.


Falta pouco para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 e estudantes que ainda não conseguiram cumprir o planejamento de estudos precisam reorganizar a preparação para a reta final. Segundo professores ouvidos pelo Lá Vem o Enem, ainda é possível melhorar o desempenho até a prova, desde que o tempo disponível seja utilizado de forma estratégica.


A recomendação é evitar a tentativa de recuperar todos os assuntos acumulados ao longo do ano. Em vez disso, os candidatos devem priorizar conteúdos recorrentes, resolver questões de edições anteriores, treinar a redação e identificar as principais dificuldades.


Para a professora de redação Josy Kelly Santos, manter a calma é fundamental neste momento. A orientação é concentrar os esforços em atividades que permitam ao estudante colocar o conhecimento em prática e avaliar o próprio desempenho.


“O importante nesta reta final é manter a calma e focar naquilo que funciona: resolução de questões (simulado). Apesar do pouco tempo, ainda há esperança”, explica.


Matemática: quais conteúdos priorizar?


Em matemática, tentar estudar todo o programa da disciplina pode não ser a melhor estratégia para quem chega à reta final com lacunas na aprendizagem. O professor José Ferreira Lima Neto recomenda priorizar assuntos que aparecem com frequência no Enem e que podem ajudar a garantir acertos em questões de menor e média complexidade.


Entre os conteúdos indicados estão regra de três, porcentagem, razão e proporção, interpretação de gráficos e tabelas, estatística básica e geometria plana. Frações, números decimais, conversão de unidades, escalas e equações do primeiro grau também podem entrar no planejamento.


“Em dois meses, é muito mais eficiente dominar bem alguns conteúdos recorrentes e resolver muitas questões fáceis e médias do Enem do que tentar estudar superficialmente todo o programa de Matemática”, afirma o professor.


Na reta final, a recomendação é dedicar menos tempo à reprodução de teorias e mais à resolução de exercícios. A correção das questões também deve fazer parte da rotina, para que o estudante compreenda os erros e consiga reconhecer como determinado conteúdo é cobrado na prova.


Redação exige prática e domínio da estrutura


Para quem ainda tem dificuldades na redação, a prioridade deve ser compreender o modelo dissertativo-argumentativo exigido pelo exame e os critérios utilizados na avaliação. Segundo Josy Kelly, o estudante precisa conhecer as competências cobradas pelo Enem, organizar os argumentos e aprender a elaborar uma proposta de intervenção para o problema apresentado.


Uma das estratégias recomendadas é analisar redações que receberam nota mil em edições anteriores, observando como os candidatos desenvolveram a argumentação e atenderam às exigências da prova.


A professora também orienta que os estudantes não apostem em repertórios prontos que prometem servir para qualquer tema. Em vez disso, a preparação deve contemplar eixos temáticos como saúde, educação, meio ambiente, tecnologia e questões sociais e culturais. Filmes, livros, acontecimentos históricos e temas da atualidade podem contribuir para a argumentação, desde que tenham relação com o assunto proposto.


Simulados ajudam a identificar dificuldades


Além de revisar os conteúdos, os estudantes precisam treinar a administração do tempo. Os simulados permitem identificar questões que provocam mais dúvidas, assuntos que precisam de reforço e etapas da prova que consomem tempo excessivo.


No primeiro dia do Enem, os candidatos terão 5 horas e 30 minutos para responder às questões de Linguagens e Ciências Humanas e elaborar a redação. Por isso, a prática deve considerar não apenas o conhecimento, mas também o ritmo necessário para concluir a prova.


Para Josy Kelly, reservar até duas horas para a redação durante os simulados pode ajudar o candidato a administrar melhor o tempo disponível para as demais questões.


Em matemática, o professor recomenda resolver exercícios cronometrados e analisar os erros de interpretação. Confundir área e perímetro, esquecer conversões de unidades ou responder a uma informação diferente da solicitada são equívocos que podem comprometer o resultado.


Como organizar os estudos na reta final?


Para estudantes que precisam conciliar a preparação com outras atividades, estabelecer uma rotina possível é mais importante do que planejar longas jornadas de estudo que não conseguem ser mantidas.


Em matemática, uma sugestão do professor é reservar uma hora diária para a disciplina, dividindo o período entre resolução de questões, correção dos erros e revisão dos conteúdos em que houve dificuldade.
A lógica é simples: resolver, corrigir, entender o erro e tentar novamente. O mesmo princípio pode ser aplicado às outras áreas do conhecimento, com ajustes conforme as necessidades de cada candidato.


Para José Ferreira, também é importante abandonar a ideia de que algumas pessoas são incapazes de aprender matemática. O objetivo, nesta fase, não é dominar todos os assuntos, mas avançar naquilo que ainda pode ser aprendido antes do exame.


A preparação deve ser direcionada. Em vez de tentar recuperar todo o conteúdo acumulado, os candidatos podem aproveitar o período para consolidar conhecimentos, corrigir dificuldades e treinar a aplicação do que já estudaram.

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