Enem: como organizar uma rotina de estudos sem abrir mão do descanso

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Médico do sono e psicopedagoga explicam como distribuir os estudos, preservar o sono e evitar uma rotina de preparação que prejudique a aprendizagem.

Estudar para o Enem não significa passar o maior número possível de horas diante dos livros. Para manter a aprendizagem e a concentração, é preciso organizar uma rotina que inclua sono, pausas, lazer e momentos de descanso.

O médico do sono Arthur Trindade e a psicopedagoga Luana Ribeiro explicam como montar uma rotina de estudos para o Enem sem abrir mão do descanso e quais sinais indicam que o estudante está ultrapassando os próprios limites.

Quantas horas de sono são necessárias para quem estuda para o Enem?

De acordo com Arthur Trindade, adolescentes e adultos jovens devem dormir, em média, de 7 a 9 horas por noite. O sono adequado contribui para a saúde e também para o desempenho acadêmico.

O médico explica que, durante o sono, principalmente na fase mais profunda, ocorre a transferência de informações da memória de curta duração para a memória de longo prazo. Esse processo ajuda na sedimentação do que foi aprendido durante os estudos.

“O tempo médio recomendado para adultos jovens e adolescentes é de 7-9 h de sono por noite. Preservar esse tempo de sono é importante para a saúde de uma maneira geral e inclusive para o bom desempenho acadêmico. Ao dormir por tempo e qualidade adequados há um metabolismo cerebral normal o que ajuda na sedimentação do aprendizado”, disse o médico.

O médico afirma que dormir menos do que o necessário também pode diminuir a atenção e aumentar a fadiga mental. Com isso, fica mais difícil reter novos conteúdos e resolver questões que exigem atenção, como aquelas com pegadinhas ou cálculos mais complexos.

Como organizar uma rotina de estudos para o Enem sem perder o sono?

Para Arthur, proteger o horário de dormir deve ser uma prioridade. Uma das orientações é estabelecer um limite para os estudos e reservar o período seguinte para preparar o corpo e a mente para o sono.

“Proteger o tempo para dormir é uma prioridade e pode fazer diferença entre ser aprovado ou de só chegar muito perto. Alguns autores que já estudaram muito sobre sono e aprendizado defendem que os estudos devem ser feitos em blocos e com intervalos de 20 minutos para pequenas sonecas. Isso eu falo durante o dia, porque a noite deve ser só para dormir mesmo. Estipular o limite até onde você deve estudar, tipo até 22h. A partir daí, iniciar um rotina para se preparar para ‘desligar” o cérebro e poder dormir tranquilamente”, explica.

Arthur também relata que recebe estudantes que estudam até tarde e vão dormir logo depois. Segundo ele, esse hábito pode dificultar o início do sono e contribuir para quadros de insônia.

A rotina antes de dormir também deve fazer parte do planejamento. O médico orienta interromper os estudos pelo menos uma hora antes de deitar, evitar telas e realizar atividades mais relaxantes. Meditação e mindfulness também podem ajudar a desacelerar a mente.

É melhor estudar até mais tarde ou acordar mais cedo?

A escolha entre estudar à noite ou acordar mais cedo para estudar depende do cronotipo de cada pessoa, ou seja, da tendência de funcionar melhor em determinados horários do dia.

Segundo Arthur Trindade, pessoas com perfil mais vespertino tendem a dormir e acordar mais tarde. Para elas, estudar até mais tarde pode ser uma opção. Já quem tem perfil matutino pode ter melhor aproveitamento ao acordar mais cedo para estudar.

“Isso vai depender do cronotipo de cada um. Algumas pessoas são mais vespertinas, tendem a dormir mais tarde e acordar mais tarde, para essas pessoas, esticar até mais tarde é um melhor negócio. Por outro lado, existem os matutinos, para essas pessoas seria melhor acordar mais cedo para estudar. Contudo, ressalto que o tempo de sono deve ser respeitado para que o rendimento seja o melhor possível”.

Mesmo para quem prefere estudar à noite, Arthur orienta que o estudante não termine os estudos e vá direto para a cama. A recomendação é parar de estudar pelo menos uma hora antes de dormir e usar esse período para desacelerar.

“A rotina pré-sono vale para todos os momentos da vida, inclusive na questão de estudo. Parar de estudar pelo menos 1 hora antes do horário de deitar para dormir. Nesse meio tempo, evitar telas e fazer atividades mais relaxantes”, afirmou.

Como saber se estou estudando demais para o Enem?

Para a psicopedagoga Luana Ribeiro, um dos sinais mais claros de que a rotina de estudos está pesada demais é quando o estudante passa a dedicar mais horas aos conteúdos, mas começa a render menos.

Isso pode aparecer no desempenho, com erros que se repetem, dificuldade para recuperar conteúdos já estudados ou pouco avanço nos simulados. No dia a dia, também podem surgir cansaço persistente, dores de cabeça, alterações no sono, irritação, ansiedade e desânimo.

Outro sinal de alerta é quando o estudo começa a ocupar todo o espaço da rotina e o estudante deixa de encontrar amigos, praticar atividades físicas ou ter momentos de lazer.

“Também merece atenção a culpa ao descansar. Quando a pessoa sente que qualquer pausa significa ‘perder tempo’, é preciso rever essa rotina. Descanso não é o oposto do estudo; ele faz parte de uma rotina de aprendizagem saudável”, diz.

Segundo Luana, não existe uma quantidade de horas que seja excessiva para todos. A avaliação deve considerar a relação entre tempo de estudo, qualidade da aprendizagem, descanso e funcionamento do estudante no dia a dia.

Como montar uma rotina de estudos para o Enem?

Segundo a psicopedagoga Luana Ribeiro, o cronograma deve partir da rotina que o estudante já tem, considerando compromissos como escola, trabalho, sono e alimentação. A partir dos horários disponíveis, é possível distribuir as matérias e também reservar períodos para descanso.

Ela orienta ainda que cada bloco tenha um objetivo definido, como estudar um conteúdo específico ou resolver determinado número de questões. Para evitar sobrecarga, o planejamento também deve deixar espaço para imprevistos.

Outra recomendação é variar as formas de estudar, incluindo resolução de questões e revisões ao longo dos dias, em vez de concentrar a preparação apenas em aulas e leitura de resumos.

Exemplo de cronograma de estudos para o Enem

Para quem tem cerca de três horas disponíveis por dia, a psicopedagoga Luana Ribeiro sugere dividir o tempo em três blocos de aproximadamente 50 minutos, com pequenos intervalos:

  • Segunda: Matemática e Linguagens
  • Terça: Biologia ou Química e preparação para a redação
  • Quarta: Ciências Humanas e Matemática
  • Quinta: Física e Linguagens
  • Sexta: Redação e revisão dos conteúdos da semana
  • Sábado: Questões ou simulado parcial pela manhã e análise dos erros
  • Domingo: Livre

O cronograma pode ser adaptado conforme o tempo disponível de cada estudante.

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