Enem 2026: veja 10 músicas de trap que podem ser repertório para a redação

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(Paula Rodrigues/Agência Mural)

Canções de BK’, Djonga, Bixarte e outros artistas abordam racismo, desigualdade e violência e podem ajudar estudantes a ampliar os argumentos no texto dissertativo-argumentativo

O trap brasileiro pode ir além das playlists e se tornar um aliado na preparação para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Com letras que abordam problemas sociais, como racismo, desigualdade, violência e falta de oportunidades, o gênero musical reúne referências que podem ajudar os estudantes a construir argumentos e relacionar diferentes conhecimentos ao tema proposto.

Para ajudar os candidatos na preparação para a prova, o Lá Vem o Enem reuniu 10 músicas de artistas como BK’, Djonga, Bixarte, Froid e Major RD que podem ser utilizadas como repertório sociocultural. A proposta é mostrar como as mensagens presentes nas letras podem contribuir para a discussão de questões sociais na redação, marcada para o dia 8 de novembro.

No Enem, a Competência 2 avalia a compreensão da proposta, o desenvolvimento do texto dissertativo-argumentativo e a aplicação de conhecimentos de diferentes áreas. Por isso, não basta citar uma música: é necessário explicar a mensagem do trecho escolhido e estabelecer uma relação clara com o tema.

10 músicas de trap e rap para usar na redação do Enem

  1. “Manifesto #1 A Rua Cercada Por Divisão”, de Real Fubá e MC Poze do Rodo

Trecho: “Por que, ao invés de matar, vocês não dá estudo?”

A música questiona a falta de oportunidades para jovens das periferias e propõe uma reflexão sobre o papel da educação no enfrentamento da violência.

O trecho pode ser utilizado em temas sobre desigualdade social, acesso à educação e violência urbana. Na redação, o estudante pode argumentar que a segurança pública também precisa considerar fatores sociais, como a falta de acesso a escolas de qualidade, atividades culturais e oportunidades profissionais.

Para aprofundar a discussão, é possível relacionar a letra a dados sobre evasão escolar e desigualdade educacional no Brasil.

  1. “Continuação de um Sonho”, de BK’

Trecho: “Eu sou a continuação de um sonho / Da minha mãe, do meu pai”

A canção destaca a ancestralidade e a importância das gerações anteriores na construção de novas oportunidades. A mensagem permite refletir sobre como as trajetórias individuais também são influenciadas pelas condições sociais e históricas.

A música pode ser utilizada em temas sobre racismo estrutural, mobilidade social e desigualdade de oportunidades. O candidato pode relacionar a letra à história da população negra no Brasil e às barreiras que ainda dificultam o acesso à educação, ao mercado de trabalho e aos espaços de poder.

  1. “Quadros”, de BK’, com Ashira e Luccas Carlos

Trecho: “A falta do básico nos fez querer ter mais que o necessário”

O verso aborda a relação entre a privação de necessidades essenciais e o desejo de conquistar melhores condições de vida.

A música pode ser relacionada a temas sobre pobreza, desigualdade de renda e acesso a direitos básicos. Na argumentação, o estudante pode discutir como a falta de moradia adequada, alimentação, educação e outros serviços essenciais limita as oportunidades de desenvolvimento pessoal.

Dados sobre distribuição de renda e acesso a serviços públicos podem ajudar a sustentar essa reflexão.

  1. “Cidade 2000”

Trecho: “Se fosse preto e pobre era pra detenção”

A letra questiona o tratamento desigual de pessoas de acordo com a raça e a condição socioeconômica, além de criticar os impactos da política de combate às drogas sobre jovens negros e pobres.

A canção pode ser utilizada em temas sobre racismo estrutural, encarceramento em massa e desigualdade no sistema de Justiça. O estudante pode discutir como estereótipos raciais e sociais influenciam a percepção sobre determinados grupos.

Para fortalecer o argumento, é possível recorrer a pesquisas sobre o perfil da população carcerária brasileira e as desigualdades raciais no sistema penal.

  1. “Pseudosocial”, de Froid

Trecho: “Num espaço mais aberto pra filosofar cultura […] Preciso debater assuntos como o aborto […] É o preconceito racial”

A música apresenta críticas às contradições sociais e à discriminação racial, oferecendo um ponto de partida para discutir a distância entre os direitos garantidos formalmente e a realidade vivenciada por grupos marginalizados.

O repertório pode ser utilizado em temas sobre racismo, preconceito e exclusão social. O candidato pode argumentar que a existência de leis contra a discriminação não elimina automaticamente práticas racistas presentes nas relações cotidianas e nas instituições.

  1. “Bicho de Sete Cabeças / A Culpa é das Igrejas”

Trecho: “Eu penso em cotas, na cor das empregadas”

A referência relaciona questões raciais, trabalho doméstico e ações afirmativas, permitindo discutir a permanência de desigualdades históricas na sociedade brasileira.

A música pode contribuir para redações sobre desigualdade racial, trabalho doméstico e acesso à educação. O estudante pode relacionar a letra à herança da escravidão e às dificuldades enfrentadas pela população negra para acessar oportunidades profissionais e educacionais.

A discussão também pode abordar o papel das políticas de cotas na ampliação do acesso de grupos historicamente excluídos às universidades.

  1. “60K”, de Major RD

Trecho: “Tudo pra nós, que é preto, é mais difícil”

O verso expressa uma crítica às barreiras enfrentadas pela população negra e pode ajudar a discutir como o racismo afeta diferentes dimensões da vida social.

A música pode ser utilizada em temas sobre desigualdade profissional, racismo estrutural e representatividade. Na redação, o estudante pode abordar as dificuldades de acesso ao emprego, as diferenças salariais e a sub-representação de pessoas negras em cargos de liderança.

  1. “Corra”, de Djonga, com Paige

Trecho: “Amor, olha o que fizeram com nosso povo”

A música aborda a memória coletiva da população negra, a violência e as consequências históricas do racismo.

O trecho pode ser relacionado a temas sobre racismo, violência racial e valorização da identidade negra. O candidato pode discutir como as desigualdades atuais precisam ser compreendidas considerando o passado escravista brasileiro e seus efeitos sociais.

A referência pode ser aprofundada com acontecimentos históricos e dados que demonstrem a permanência das desigualdades raciais.

  1. “Campo de Batalha”, de Bixarte, com Lucas Dan

Trecho: “Preto vira herói, minha pele não faz bandido”

A letra questiona os estereótipos que associam pessoas negras à criminalidade e denuncia o preconceito racial.

A música pode ser utilizada em temas sobre discriminação racial, violência e estereótipos sociais. O estudante pode argumentar que julgamentos baseados na cor da pele contribuem para a exclusão e para o tratamento desigual de pessoas negras em diferentes espaços.

Pesquisas sobre discriminação e desigualdade racial podem complementar a análise.

  1. “Rap de Favela”, de Bixarte, com Rafa Rasta

Trecho: “Eu quero respeito pro povo do gueto”

A canção valoriza a identidade periférica e reivindica reconhecimento para grupos frequentemente marginalizados.

A música pode ser utilizada em temas sobre desigualdade social, cultura periférica e representatividade. O candidato pode discutir a importância de combater estereótipos sobre moradores das periferias e ampliar o acesso dessas populações a direitos, oportunidades e espaços de participação social.

Como usar músicas de trap na redação do Enem?

As músicas podem ampliar o repertório sociocultural dos candidatos, mas é importante compreender que a citação, sozinha, não garante uma boa argumentação. Para que a referência seja produtiva, ela precisa estar relacionada ao tema e contribuir para o desenvolvimento das ideias.

Confira algumas dicas:

  • Escolha uma música pertinente: a letra precisa ter uma relação clara com o tema proposto. Evite conexões forçadas;
  • Explique a mensagem: depois de citar o trecho, mostre qual questão social ele representa e como se relaciona ao argumento;
  • Relacione outros conhecimentos: dados estatísticos, leis, acontecimentos históricos e conceitos sociológicos podem aprofundar a discussão;
  • Utilize linguagem formal: prefira trechos adequados ao contexto acadêmico e evite palavrões ou expressões ofensivas;
  • Não dependa apenas da citação: a música deve funcionar como apoio à argumentação, e não substituir a análise do estudante.

Repertório sociocultural: como ir além da citação?

Se o tema abordar a desigualdade de oportunidades, por exemplo, o estudante pode utilizar “Continuação de um Sonho”, de BK’, para introduzir uma reflexão sobre as barreiras enfrentadas por diferentes gerações. Em seguida, precisa explicar essa relação e apresentar argumentos que sustentem a análise.

A referência musical pode aparecer tanto na introdução quanto nos parágrafos de desenvolvimento. O importante é que esteja integrada ao raciocínio e ajude a explicar o problema discutido.

Na redação do Enem, mais importante do que decorar versos é saber interpretar a mensagem e relacioná-la ao tema. Um repertório bem utilizado demonstra capacidade de análise crítica e contribui para a construção de uma argumentação consistente.

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