Canções de rap, MPB e outros gêneros abordam temas como racismo, desigualdade social, crise climática e impactos das redes sociais; veja como usar as obras como repertório sociocultural.
A música pode ser uma aliada dos estudantes que estão se preparando para a redação do Enem 2026. Composições de diferentes gêneros musicais permitem discutir questões como racismo, desigualdade social, identidade cultural, mudanças climáticas e os efeitos da tecnologia na sociedade.
Para usar uma canção como repertório sociocultural, no entanto, não basta citar o título ou o nome do artista. É necessário compreender a mensagem da obra, relacioná-la ao tema proposto e explicar como ela contribui para sustentar a argumentação desenvolvida no texto.
A seleção a seguir reúne 10 músicas que podem contribuir para a preparação para o Enem, com exemplos de possíveis aplicações na redação. Antes de escolher uma delas, é importante conferir a letra e o contexto da composição para evitar interpretações equivocadas.
10 músicas para usar como repertório na redação do Enem 2026
1. “Foi Mal Aí” — OGermano e Matchola
A música aborda questões relacionadas à identidade, ao julgamento social e ao sentimento de não pertencimento. A letra apresenta experiências ligadas à dificuldade de se encaixar nas expectativas de outras pessoas e menciona aspectos da identidade racial.
Como usar na redação: a canção pode ajudar a desenvolver argumentos sobre racismo estrutural, discriminação e exclusão social. Em uma proposta sobre preconceito racial, por exemplo, o estudante pode relacionar a obra aos efeitos da discriminação na construção da identidade e nas relações sociais.
2. “Ouro Marrom” — Jota.pê
A composição de Jota.pê, lançada originalmente em 2023, aborda o racismo e valoriza a identidade negra, a ancestralidade e a autoestima. Segundo o material de referência, o artista explicou que a ideia surgiu após se deparar com uma notícia sobre racismo, experiência que motivou a criação da música.
Como usar na redação: a faixa pode ser relacionada a temas como desigualdade racial, representatividade e valorização da cultura afro-brasileira. Em uma discussão sobre o combate ao racismo no Brasil, o estudante pode associar a mensagem da obra à importância da educação antirracista e de políticas públicas de igualdade racial.
3. “Desigualdade Social” — Salvador da Rima
O rap apresenta uma crítica às desigualdades socioeconômicas e às dificuldades enfrentadas por moradores de comunidades periféricas. A letra aborda a falta de oportunidades, as limitações de acesso a atividades culturais e esportivas e a violência presente nesses territórios.
Como usar na redação: a música pode contribuir para discussões sobre desigualdade social, violência urbana e oportunidades para jovens periféricos. O estudante pode relacionar a composição à necessidade de ampliar o acesso à educação, à cultura e ao mercado de trabalho, sem associar automaticamente a pobreza à criminalidade.
4. “Pra Alegria Se Achegar” — Bia Ferreira
A música integra o trabalho de Bia Ferreira em 2026 e apresenta uma abordagem relacionada ao afeto, à celebração e à possibilidade de recomeçar. A obra permite refletir sobre a importância das relações humanas e da convivência para o bem-estar.
Como usar na redação: a canção pode ser associada a temas como saúde mental, qualidade de vida e redes de apoio. Em uma proposta sobre os desafios enfrentados por jovens em relação à saúde mental, por exemplo, o estudante pode discutir a importância do acolhimento e dos vínculos afetivos, explicando a relação entre esses elementos e o problema apresentado.
5. “Cantiga para Oxalá” — Majur
A composição indicada no material combina elementos em iorubá e português e permite explorar a presença de referências culturais e religiosas de matriz africana na música brasileira.
Como usar na redação: a faixa pode ser relacionada à intolerância religiosa, ao racismo religioso e à preservação das tradições afro-brasileiras. Em uma redação sobre discriminação contra religiões de matriz africana, o estudante pode utilizar a obra para introduzir uma discussão sobre diversidade cultural, liberdade religiosa e respeito às diferentes crenças.
6. “Injustiça Climática” — Ricardo Marques, Luiz Caldas, Ailton Krenak e Jonas Samaúma
Lançada em janeiro de 2026, a música reúne artistas e vozes associadas à reflexão ambiental e à defesa dos povos originários. A composição critica a transformação da natureza em mercadoria e chama a atenção para a responsabilidade coletiva diante da crise climática.
Como usar na redação: a canção é uma possibilidade de repertório para temas sobre mudanças climáticas, preservação ambiental e direitos dos povos indígenas. Em uma proposta sobre os impactos da crise climática no Brasil, o estudante pode relacionar a obra ao conceito de justiça climática, que considera a distribuição desigual dos danos ambientais entre diferentes grupos sociais.
A discussão também pode abordar a necessidade de políticas públicas de prevenção e adaptação às mudanças climáticas, especialmente para proteger populações em situação de vulnerabilidade.
7. “A Sina de Ofélia” — versão criada com inteligência artificial
Uma versão em português da música ganhou repercussão nas redes sociais em 2025 por simular interpretações de Luísa Sonza e Dilsinho. Conforme o material de referência, o conteúdo foi criado com inteligência artificial e não correspondia a uma gravação oficial dos cantores.
O episódio permite discutir questões relacionadas à autenticidade de conteúdos digitais, aos direitos autorais e à utilização de ferramentas de inteligência artificial na produção musical.
Como usar na redação: o exemplo pode ser relacionado a temas como desinformação, inteligência artificial e responsabilidade nas redes sociais. Em uma proposta sobre os desafios para identificar informações falsas na internet, o estudante pode explicar como conteúdos sintéticos que imitam vozes conhecidas podem dificultar a identificação da origem de uma gravação.
A discussão também pode incluir a importância da educação midiática e da transparência sobre o uso de inteligência artificial, sem generalizar que toda produção feita com essa tecnologia seja falsa ou prejudicial.
8. “Além de Mim” — Luciano Thomas
A música aparece na lista de repertórios sugeridos para o Enem 2026, mas o material de referência não apresenta informações suficientes sobre a letra e o contexto da composição para estabelecer uma interpretação temática específica com segurança.
Como usar na redação: antes de escolher a faixa, o estudante deve ouvir a música, analisar a letra completa e identificar a questão efetivamente abordada. Só depois dessa análise será possível avaliar se existe uma relação consistente com o tema proposto na prova.
O cuidado é importante porque o título de uma música, isoladamente, não constitui um repertório sociocultural produtivo. A obra precisa contribuir para a argumentação e estar diretamente relacionada ao assunto discutido.
9. “Sky Line” — RAPadura
Lançada em fevereiro de 2026, a música mistura elementos de samba, drill e funk. Segundo o material de referência, a faixa aborda a ascensão social e a preservação das raízes culturais, relacionando o crescimento pessoal e profissional à importância de manter vínculos com a própria origem.
Como usar na redação: a composição pode ser relacionada à mobilidade social, à identidade cultural e à desigualdade de oportunidades. Em uma proposta sobre os obstáculos enfrentados por jovens de baixa renda, o estudante pode discutir a importância do acesso à educação e ao trabalho para melhorar as condições de vida.
A mistura de gêneros musicais também permite explorar a diversidade da produção cultural brasileira e o diálogo entre diferentes tradições.
10. “Feed” — Mateus Zingue
A música critica a hiperconectividade e o uso excessivo das redes sociais. Segundo o artista, a composição surgiu da observação dos hábitos digitais e aborda a exposição da vida pessoal, a dependência tecnológica e os efeitos da conexão constante sobre o comportamento. O humor é utilizado como recurso para chamar a atenção para essas questões.
Como usar na redação: a faixa pode ser aproveitada em discussões sobre saúde mental, dependência digital e impactos das redes sociais nas relações humanas. Em uma proposta sobre os efeitos da internet entre adolescentes, por exemplo, o estudante pode relacionar a obra à pressão pela exposição pessoal e à importância de desenvolver hábitos digitais mais conscientes.
Para fortalecer a argumentação, é recomendável complementar o repertório musical com dados estatísticos ou pesquisas confiáveis sobre o tema.
Como usar músicas na redação do Enem
A escolha de uma canção como repertório sociocultural deve contribuir diretamente para a defesa do ponto de vista apresentado pelo estudante. Citar uma música ou reproduzir um trecho da letra não garante, por si só, uma boa argumentação.
Uma estratégia é organizar a utilização do repertório em três etapas:
- Apresente a obra: informe o título da música e o nome do artista, identificando a questão abordada.
- Relacione a composição ao tema: explique como a mensagem da canção ajuda a compreender o problema discutido na proposta.
- Conecte o repertório à tese: utilize a interpretação da obra para sustentar o argumento defendido no texto.
Em uma redação sobre desigualdade racial, por exemplo, o estudante pode mencionar “Ouro Marrom”, de Jota.pê, explicar a relação da composição com o racismo e a valorização da identidade negra e, em seguida, conectar essa reflexão à necessidade de combater práticas discriminatórias e ampliar a igualdade de oportunidades.
Outro cuidado é evitar decorar músicas para utilizá-las indiscriminadamente em qualquer proposta. A escolha precisa considerar o tema efetivamente apresentado na prova, e a interpretação deve ser coerente com a mensagem da obra.
Mais importante do que memorizar uma lista de canções é saber analisar o conteúdo, estabelecer relações com questões sociais e culturais e utilizar o repertório para fortalecer a argumentação.
