A literatura afro-brasileira e a decolonialidade são temas importantes para quem está se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Na nova videoaula do Lá Vem o Enem, o professor de Literatura e História da Arte Rodrigo Paes apresenta escritores negros que marcaram a literatura brasileira e explica como suas obras ajudam a compreender questões sociais e históricas que podem aparecer na prova.
O professor destaca que a decolonialidade propõe questionar narrativas construídas a partir da perspectiva do colonizador e recuperar o espaço de grupos que tiveram suas histórias e produções culturais invisibilizadas. O conceito está relacionado a discussões sobre raça, classe, gênero e sexualidade.
“Acima de tudo, o Enem é uma prova social, é uma prova que debate questões sociais. A decolonialidade traz uma referência muito forte às vozes invisibilizadas e silenciadas pela História, que foram marcadas por um ideal colonialista. Então, a decolonialidade desconstrói esses valores coloniais”, explica Rodrigo Paes.
Segundo o professor, cerca de 80% das questões de Linguagens relacionadas à História da Arte, Literatura e Interpretação Textual dialogam diretamente com essa temática. Ele também chama atenção para a necessidade de conhecer autores negros de diferentes períodos da história brasileira, e não apenas os nomes contemporâneos.
Literatura afro-brasileira: conheça autores importantes
Na aula, Rodrigo Paes organiza uma linha do tempo com escritores e obras que representam a produção literária afro-brasileira desde o século XIX. A proposta é mostrar como esses autores contribuíram para a construção de outras perspectivas sobre a história e a sociedade brasileira.
Um dos primeiros nomes apresentados é Maria Firmina dos Reis, escritora maranhense considerada a primeira romancista negra brasileira. Autora de Úrsula, publicado em 1859, ela se destacou por abordar a escravidão e as desigualdades sociais em uma narrativa de caráter abolicionista.
“É um nome que vocês não podem esquecer, por causa do lugar que essa escritura ocupa e do debate que ela faz”, destaca o professor.
Outro escritor lembrado é Machado de Assis, um dos principais nomes da literatura brasileira. Com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881, o autor marcou o início do Realismo no Brasil. Suas obras permitem discutir as relações sociais, as contradições da sociedade e as transformações políticas do país no século XIX.
A lista também inclui Cruz e Sousa, representante do Simbolismo brasileiro, cuja poesia foi atravessada por experiências de racismo e exclusão. Já Lima Barreto, autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma, abordou questões relacionadas à identidade nacional, à República e às desigualdades sociais no início do século XX.
Entre as escritoras, o professor destaca Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada. Publicada em 1960, a obra apresenta o cotidiano da autora na favela do Canindé, em São Paulo, e expõe problemas como a fome, a pobreza e a exclusão social.
“Ela escreve a partir da sua própria história, da sua própria visão, da realidade que se impõe frente ao seu quarto, que é o Quarto de Despejo”, explica Rodrigo.
Outro nome importante é Conceição Evaristo, escritora, poeta e referência da literatura contemporânea. Suas produções abordam identidade, memória, racismo e experiências da população negra. Segundo o professor, a autora é uma presença recorrente nas discussões relacionadas ao Enem.
A aula também apresenta Ana Maria Gonçalves, autora do romance Um Defeito de Cor, que entrou para a história como a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL). A obra, publicada em 2006, aborda a escravidão, a resistência negra e a formação da sociedade brasileira.
Para completar a linha do tempo, Rodrigo Paes cita os escritores contemporâneos Jefferson Tenório e Itamar Vieira Junior. O primeiro aborda questões raciais e experiências de violência e exclusão, enquanto o segundo explora conflitos sociais no campo, desigualdades e a luta pela terra.
Como a decolonialidade pode aparecer no Enem?

Para o professor, compreender a literatura afro-brasileira também significa refletir sobre quem teve o direito de contar a história do Brasil e quais perspectivas ficaram de fora das narrativas tradicionais.
Durante a aula, ele lembra um episódio ocorrido na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em setembro de 2026. Na ocasião, um entrevistador oferecia livros a pessoas que conseguissem citar dois autores negros da literatura brasileira. A dificuldade de muitos participantes em lembrar desses nomes, segundo Rodrigo, demonstrou como esses escritores ainda são pouco conhecidos.
“Até que ponto essas vozes falaram sobre a história do Brasil? Quais foram as vozes que contaram a história do Brasil?”, questiona.
O professor reforça que conhecer autores, obras e contextos históricos é uma estratégia importante para interpretar questões que envolvem a construção da identidade brasileira, o racismo estrutural, a desigualdade e a valorização da cultura afro-brasileira.
O professor destaca que a decolonialidade propõe questionar narrativas construídas a partir da perspectiva do colonizador e recuperar o espaço de grupos que tiveram suas histórias e produções culturais invisibilizadas. O conceito está relacionado a discussões sobre raça, classe, gênero e sexualidade.
Quer se preparar para as provas? Confere o Lá Vem o Enem! Veja conteúdos, dicas de estudo, questões e tudo o que você precisa saber para chegar mais preparado ao Enem.

