Psicopedagoga Helena Viegas explica estratégias que podem ajudar estudantes na preparação para a prova e alerta que não existe uma técnica que funcione da mesma forma para todo mundo
Estudar para o Enem não significa apenas passar horas diante dos livros e apostilas. Saber como o próprio cérebro aprende, identificar as dificuldades e encontrar estratégias que funcionem para cada estudante também fazem parte da preparação.
A psicopedagoga Helena Viegas conversou com o Lá Vem o Enem e deu dicas para quem está na reta final dos estudos.
Entre as orientações estão testar diferentes técnicas de aprendizagem, fazer simulados em condições semelhantes às da prova e criar uma rotina que também tenha espaço para descanso e lazer.
Existe uma técnica de estudo melhor?
Segundo Helena, não existe uma lista de técnicas que possa ser considerada a melhor para todos os estudantes. O método que funciona para uma pessoa pode não apresentar o mesmo resultado para outra.
Por isso, uma das principais recomendações é experimentar diferentes formas de estudar e observar os resultados.
O estudante pode, por exemplo, utilizar recursos visuais, como mapas e esquemas, e depois verificar se consegue lembrar das informações. Outra possibilidade é explicar o conteúdo com as próprias palavras, como propõe a técnica Feynman.
“É um processo de experimentação”, explica a psicopedagoga.
Para conteúdos que exigem memorização de informações específicas, Helena também cita as técnicas associativas, que ajudam a relacionar uma informação nova a outras que o estudante já conhece.
Como evitar o famoso “branco” na prova?
Mesmo quem estudou pode esquecer uma informação momentaneamente durante o Enem. Segundo a psicopedagoga, isso pode acontecer por causa do nervosismo e do cansaço, já que a prova é longa.
Uma das estratégias para lidar com a situação é não permanecer muito tempo em uma questão cuja resposta não está vindo.
Se o estudante perceber que está travado, a orientação é marcar a questão e seguir para outra. Depois, ele pode voltar ao item.
Isso evita que o tempo gasto em uma única pergunta aumente a ansiedade e prejudique a concentração nas demais.
Outra recomendação é fazer simulados reproduzindo as condições do Enem: respeitar o tempo da prova, estudar no mesmo período em que o exame será realizado e evitar o uso do celular ou outras distrações.
A ideia é fazer com que o estudante se acostume com a situação antes do dia da prova.
Como estudar sem chegar à exaustão?
Na tentativa de aproveitar as últimas semanas antes do Enem, alguns estudantes podem aumentar excessivamente a carga de estudos. Para Helena, porém, uma rotina eficiente precisa ser realista e flexível.
O planejamento deve incluir não apenas as matérias, mas também lazer, atividade física, amigos e momentos de descanso.
Também é importante deixar espaços para imprevistos. Se o estudante ficar doente ou não conseguir cumprir uma atividade em determinado dia, por exemplo, deve existir outro momento para recuperar o conteúdo.
A ideia é evitar que uma tarefa atrasada se transforme em uma sequência de conteúdos acumulados.
Dica para enfrentar textos longos do Enem
As questões do Enem costumam apresentar textos extensos e bastante contextualizados. Para facilitar a leitura, Helena recomenda começar pelo final da pergunta e pelas alternativas antes de ler o texto-base.
Isso permite identificar primeiro o que a questão está pedindo.
Depois, ao ler o texto, o estudante já sabe qual informação precisa procurar.
A estratégia não significa deixar o texto de lado. O objetivo é tornar a leitura mais direcionada, principalmente diante de enunciados longos.
E quando a matéria dá medo?
Se existe uma disciplina que parece impossível, a orientação é não fugir dela.
Helena explica que o contato frequente com uma matéria pode ajudar o estudante a perder o medo e entender melhor os conteúdos. Por isso, uma disciplina em que há muita dificuldade deve estar entre as prioridades do planejamento.
O período de preparação também deve ser encarado como uma oportunidade para errar.
“Esse é o momento de errar”, afirma a psicopedagoga, destacando que os erros durante os estudos podem ajudar o aluno a identificar aquilo que ainda precisa ser aprendido.
No fim, a preparação para o Enem não precisa ser baseada em uma única fórmula. Testar estratégias, identificar o que funciona, revisar os erros e respeitar os momentos de descanso são atitudes que podem tornar os estudos mais eficientes e sustentáveis.
